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Paraty, Litoral Sul Fluminense, Brazil
DETRINDA, jornalismo, música, documentários. Compositor, repórter, videomaker, diretor e produtor de produtos audiovisuais. Pai e filho. Ciente que nada sei, cheio de vontade de aprender. Para aqueles que acreditam que o bem pode se propagar. Sejam Bem Vindos! (Davi Paiva,Trindade, Paraty-Rj).

terça-feira, 26 de maio de 2009

A LUTA DOS TRINDADEIROS

Após a construção da rodovia BR 101, conhecida como Rio Santos, que passa pelos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, diversas comunidades caiçaras e quilombolas que viviam escondidas às margens do Oceano Atlântico, longe das grandes cidades, tiveram seu modo de vida alterado pela especulação imobiliária.
Destacamos a história de luta da comunidade de Trindade, litoral sul fluminense de Paraty-RJ. A vila de pescadores resistiu nove anos em uma batalha contra a multinacional Atlantic Community Develoment Group For Latin América (ADELA) que queria expulsar os “posseiros” caiçaras das terras, que eram cultivadas por eles durante décadas.

Com sete praias paradisíacas, localizada a 20 km de Paraty, a vila de Trindade era a oportunidade para a empresa implantar um grande empreendimento turístico no local.
Essa larga fatia de área litorânea foi considerada prioritária nos programas de reforma agrária na década de 1960 e entregue aos grupos imobiliários pela Embratur por decisão do governo Federal.

Naquela época, entre os anos 1960 e 1970 a comunidade de Trindade vivia isolada dos grandes centros, vivendo basicamente da pesca e do plantio de subsistência. Inesperadamente a multinacional Adela chegou à vila alegando ser dona de todo território da comunidade, que descende de índios e também de piratas que nos séculos XVI e XVII estiveram em todo litoral sul do estado.

A Adela tentou por nove anos ocupar a área, chegando a manter 60 homens armados no local e entrando com diversas ações de reintegração de posse no fórum de Paraty.

Nessa época, os trindadeiros sofreram diversas agressões físicas, além de ver a estrada de acesso ao lugarejo bloqueada por jagunços, suas plantações e casas de pau-a-pique serem destruídas e até servícias praticadas por jagunços a duas professoras.

Por meio da força bruta, os trindadeiros aos poucos eram despejados de suas casas e muitas famílias fugiram para bairros periféricos de Ubatuba. Porém, muitos não desistiram e depois de muita união cada vez que uma casa era derrubada outras eram levantadas em um outro local, na maioria das vezes no período noturno, acabando as construções ao amanhecer. Uma casa por dia, em sistema de mutirão, com caiçaras de guarda costas, durante varias semanas.

O grupo estrangeiro, no entanto, não conseguiu tirar toda a comunidade do local. Ao contrário, sem conseguir vencer a resistência das famílias e pressionada, segundo alguns, também por problemas financeiros, desistiu do empreendimento, colocando a empresa responsável pelo projeto à venda.

Um acordo foi aceito pela comunidade que já estava cansada de viver como nômade, fugindo de um lugar para outro. Assim, chegou ao fim o pesadelo que durou nove anos e teve um alto custo para a comunidade. Das 120 famílias que viviam no povoado, apenas 42 resistiram até o acordo.

O documento assinado pelas partes concedeu para cada trindadeiro um titulo de propriedade, garantindo assim as posses da área onde estava delimitado o povoado e também as posses de lavouras. Assim os caiçaras ficaram com 147 mil metros quadrados para reconstruir a antiga vila e mais 620 mil metros quadrados para plantar roças, enquanto a empresa garantiu o domínio de 2,8 milhões de metros quadrados.

Durante os últimos anos da luta a comunidade recebeu ajuda da Sociedade de Defesa do Litoral, que surgiu em 1978, quando um grupo de jovens que freqüentavam o local presenciou as violências cometidas contra os posseiros e decidiu unir-se aos moradores, fundando assim a entidade.

Depois de firmado o acordo a comunidade fundou a Associação de Moradores Nativos e Originários da Trindade.

Atualmente, a comunidade vive quase que exclusivamente do turismo. Os ranchos de pescas da beira da praia se transformaram em bares e restaurantes e os caiçaras em microempresários do setor turístico. Alguns ainda resistem na manutenção da cultura caiçara, pescando e caçando como antigamente, mas a maioria trabalha com pousadas e campings que chegam a receber 20 mil turistas durante a alta temporada.
Essa história de luta é contada pelo documentário "TRINDADE PARA OS TRINDADEIROS", trabalho de conclusão de curso dos jornalistas Davi Paiva (Davi Detrinda) e Silvio Delfim.
O vídeo narrar a luta dessa comunidade que apesar de tanto tempo passado desde esses acontecimentos, ainda hoje vive a incerteza do que pode ser feito na área dominada pela empresa.

O documentário tem a intenção de contar como foi essa história de luta contra os interesses imobiliários de uma grande multinacional, que tentou expulsar os trindadeiros da terra onde moravam para a construção de um condomínio de alto padrão.

A abordagem é feita de forma com que fique claro para o telespectador que os interesses do capital não levam em consideração as tradições, culturas e modo de vida da comunidade que é afetada pela especulação imobiliária.

Outra abordagem é com relação à importância da união da comunidade para conseguir vencer essa batalha e resistir por 9 anos contra grupos de poder e principalmente as conseqüências desse problema para a comunidade de Trindade.
(Texto: Davi Detrinda, fotos de arquivos: Fausto Pires de Campos, Ed Viggiani, Adriana Mattoso) (foto da visão da praia do Cepilho: Silvio Delfim)
Mais informações sobre o documentário: Davi Detrinda detrinda@gmail.com

5 comentários:

victorlouvisi disse...

Vi o filme no Festival Internacional de Cinema de Paraty e gostei muito. Parabéns. Quero saber quando vai passar no Rio de Janeiro.

felipe schuery disse...

Bom dia, Davi, através do Twitter (por meio do http://twitter.com/Gilmar_) descobri a existência do Trindade para os Trindadeiros. É possível ver o documentário pela internet? Gostaria de conhecer o trabalho mas estou no exterior. Abraço, Felipe.

DAVI DETRINDA disse...

O documentário está sendo exibido esse ano em alguns festivais de cinema e estamos negociando a possível exibição em canal de Tv, mas em breve disponibilizaremos na rede.

Bruno Alves disse...

Davi

Parabéns !!

Bruno Alves disse...

Davi

Parabéns !!